• the best is yet to come //
  • Archive
  • / Theme
141749 ♥

Cuidado com o destino, ele brinca com as pessoas.

— Chorão  (via ortografias)
2065 ♥

Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça.

A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta.

Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa.

A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013.

As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada.

Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa.

Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio.

Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda.

Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência.

Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa.

Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram.

Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo?

O prédio não aterrissou da manhã, como um avião desgovernado na pista.

A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados.

Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.

Mais de duzentos e cinquenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.

Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal.

As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso.

Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu.

As palavras perderam o sentido.

— Fabrício Carpinejar sobre a tragédia ocorrida na Boate Kiss, em Santa Maria - RS. (via distorcido)
1002 ♥

— Cê vai ficar comigo?
— Vou.
— A noite toda?
— É. Agora dorme.
(15 min. de silêncio)
— Mor?
— Fala.
— E se a ligação cair?
— Você já vai estar dormindo.
— E se eu tiver acordada?
— Você me liga de volta. Fecha os olhinhos.
— Tá.
(10 min. depois)
— Ei, amor, está aí?
— Tô, Ju. Não vou sair daqui.
— E se o seu telefone descarregar?
— A bateria tá cheia.
— E se o meu descarregar?
— Perdeu o carregador?
— Não, mas eu tô no escuro.
— Juliana, só dorme. Tá bom? Dorme.
(Meia hora depois, a respiração dela ainda podia ser ouvida)
— Ju? Está aí?
— Tô, amor.
— Minha nossa senhora, cê não vai dormir?
— Acho que eu tô com medo…
— De ficar sozinha. Eu sei. Te conheço. Pois bem. Vou te ensinar uma coisa. Pega três travesseiros e coloca ao seu redor.
— Tá.
— Agora pega um lençol aí e os cubra. Direitinho.
— Ok, e agora?
— Agora fica deitadinha. Você tá no quadrado mágico da proteção. Fecha os olhinhos. Estou do seu lado, te abraçando, ok? Melhor agora?
— Muito melhor.
— Fico imaginando quando é que a gente vai poder dormir juntinho assim, sabe, Ju. Eu tenho esse meu jeito marrento, mandão de ser, você sabe, mas eu sou pura manteiga derretida por dentro. Não consigo dormir enquanto você não dorme, tá ligada? Parece que qualquer coisa vai te acontecer e eu não vou estar por perto pra te proteger, sabe assim? E eu não suporto a ideia de alguma coisa atingir a minha pequena. É isso que você é, tá sabendo, Ju? (silêncio) Ju?
(Ele ouvia apenas a respiração lenta, quase inaudível da garota.)
— Ih, dormiu. — desligou o telefone e continuou falando sozinho, como que pra si — Missão cumprida. A princesa está salva.

— O quadrado mágico da proteção.      (via compositore)
16252 ♥
43332 ♥

Porque apesar da sua cara de brabo, você é tão fácil, tão leve, tão solto, tão tudo que eu sempre quis quando me agarra pelo braço, me pega pelos quadris, mastiga todo meu corpo e cospe fora somente minhas mentiras, carências e toxinas.

— Gabito Nunes (via psico-amante)
28 ♥

A gente entende que saudade, além de não se traduzir, também não se cobra. Que presença e importância não se impõe.

— Tati Bernardi.      (via s-a-b-e-r-e-s)
14087 ♥
6877 ♥
85 ♥
1913 ♥
2 ♥
2 ♥
59925 ♥
58402 ♥
104301 ♥
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • Older →